-with no turning back-
09
Set 11

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Saímos dali e ele acompanhou-me até casa, fomos o caminho praticamente todo abraçados por um silêncio constrangedor, estávamos quase a chegar à casa da minha avó quando decidi acabar com aquele silêncio embaraçoso.

-Olha eu acho que não me apetece ir à tal festa - olhei para ele.

-Emma... eu sei que isto que descobrimos hoje é muito esquisito e perturbador...mas... não podemos deixar que isto nos afecte desta maneira, não esta noite, a noite da fiesta, da despedida de férias, não podemos uma vez na vida fugir às ''regras'' e tentar ocultar o facto de termos descoberto que pertencemos à mesma família? Se calhar ocultar ou fingir que nada mudou é a melhor forma de seguir em frente -adoro a forma como o Alex me faz ver as coisas de outra perspectiva...de que nem tudo é tão mau quanto parece e o melhor a fazer é seguir em frente - e agora? somos primos em 3º grau... e então? não é nada do outro mundo, quantas pessoas não conheces que casaram e são primos em 1º grau? Olha tens um bom exemplo a tia Emília também casou com o primo João, e tiveram um filho saudável, por isso, nem sempre há risco de nascerem filhos deficientes, mas aqui o que está em causa nem é isso eu sei...mas se uma vez na vida fecharmos os olhos e fingirmos que nada aconteceu... - fez uma pausa - seja a melhor maneira de lidarmos com a realidade.

- Ah então estás a dizer que fugir à realidade é a melhor maneira de resolver as coisas?

Ele suspirou, olhou para o chão e depois olhou novamente para mim.

-Não... o que eu estou a tentar dizer é que por vezes se ignorarmos a realidade podemos ver os nossos problemas de outra perspectiva, também não vamos morrer por sermos primos não é? 

-É tens razão... afinal de contas nem somos primos muitos chegados, nem nos conhecíamos... isto não passa de uma situação estranha e embaraçosa passageira... certo?

-Certo - deu-me um beijo na testa - venho buscar-te por volta das 21h?

-Ah...ok...que se lixe, espero que esta festa valha a pena para me fazer esquecer do mundo real por uns momentos.

-É isso mesmo, vais ver que não te vais arrepender. Até logo, e não te esqueças leva uma roupa que não estimes muito.

Agora sim, estava um pouco mais aliviada. Entrei em casa e fui tomar banho, deixei que as pequenas gotas que escorriam pelo meu corpo significassem cada uma delas um problema ou uma situação má da minha vida, assim que desligasse a torneira, os meus problemas abalariam todos pelo cano a baixo, contudo tinha receio que de alguma maneira aquelas gotas voltasse a entrar em contacto comigo, fazendo que coisas que preferia esquecer viessem outra vez parar aos meus pensamentos por alguma razão desconhecida, assim que acabei de tomar o meu rápido duche de 10 minutos, desliguei a torneira e enrolei-me numa toalha laranja, calcei os chinelos de enfiar no dedo roxos e fui para o quarto, deixando marcas dos meus passos pelo corredor, sim um dos meus problemas se assim lhe posso chamar, sempre que tomo banho, é chuveiro para aqui e chuveiro para ali a fazer de microfone e quando dou por mim a minha casa de banho tornou-se no titanic. Na sala-roupeiro vesti um conjunto soutien e cueca preto e vesti uma t-shirt branca simples com uns calções simples que já tinha à muito tempo de ganga clara. Calcei os chinelos roxos, fiz um rabo de cavalo, meti um pouco de perfume que me tinham oferecido pelos anos e desci até à cozinha, a Alem estava em cima do sofá a dormir e a avó já estava a servir a comida, ao que parecia era sopa de agrião e arroz com bifes, o pai ainda não tinha chegado.

  Ela assim que me viu, parou de meter sopa nos pratos e dirigiu-se para ao pé de mim.

-Já estás melhor querida?

-Ah...a...sim, mas podemos não falar sobre isso?

-Está bem. -respondeu ela apreensiva e continuou a tirar a sopa da panela com a concha para o prato do meu pai.

-O pai? Não o vejo desde manhã.

-Foi tratar de uns assuntos, mas deve estar quase a chegar.

-Que assuntos?

-São coisas lá do trabalho dele, não é nada de importante, podes sentar-te já, e comer a sopa enquanto ele não chega.

-Ok.

Levei a colher à boca.

-AUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU! AI AAAAUU AAIIII AUU AIII!

-Toma, toma, mete este cubo de gelo na boca. -disse a minha avó aflita.

Atirei com o gelo para a língua. Ah! Agora já não estava a queimar...

-Não me viste a pôr a sopa mesmo agora? Devias ter pensado primeiro que ela provavelmente ia estar a ... ESCALDAR... não sei... -disse a minha avó com uma cara risonha.

-Pois... mas eu pensei que a sopa já tivesse arrefecido, como eu fui tomar banho e tudo, olha agora já serviu de lição.

-Ai Emma Emma... tu e os sarilhos, vá acaba de comer a sopa, mas sopra primeiro!

-Claro avó já não sou nenhuma criança.

Ela franziu o sobrolho como quem diz ''a sério?''.

Continuei a comer a sopa mas a minha língua já não era a mesma, parecia as línguas do gatos, estava áspera.

-Ah, avó, quando o pai chegar, não comentes nada sobre o que aconteceu hoje de manhã está bem ?

-Se assim queres, é assim que é.

Já ia em 6 colheradas quando o meu pai entra em casa.

Caminhou lentamente até à mesa, puxou uma cadeira e sentou-se.

-Então os teu amigos já disseram a que horas passam cá?

-Ah... sim, por volta das 21h.

-Ah mas já são 20.40h vê se te despachas.

-Sim, pai!

-E eles são de confiança Emma?

-Sim...não te preocupes, são pessoas muito porreiras, então o António da minha turma é super engraçado. É só uma festinha de despedida às férias.

-Como assim? Vocês já começaram as aulas à 1 semana...

-Oh sim, mas foi só apresentações e etc, para a semana é que começamos a dar matéria a sério. E assim deu para conhcer o pessoal melhor antes da festa e tudo.

-Ah! Ok...

Acábamos de jantar e eram 21 horas em ponto quando o Alex bateu à minha porta.

-Até logo avó, até logo pai.

-Adeus, porta-te bem. -disse a minha avó.

-Sim menina Emma, juízo, adeus. -disse o meu pai.

Descemos o quintal da minha avó. Ainda não era de noite mas o sol já se estava a pôr.

-Ainda não me cumprimentas-te como deve de ser. -disse ele com um sorriso rasgado.

Coloquei os braços à volta do pescoço dele e beijei-o.

-Assim está melhor?

-Hum... não sei, acho que vai ter que fazer melhor que isso. -disse ele piscando-me o olho.

-Idiota -disse-lhe, dando-lhe um pequeno murro na barriga - vamos mas é antes que o pessoal comece todo a chegar. Hum... onde está a Marta?

-Ah ela ficou em casa a acabar de se arranjar, e disse que ia lá ter com a Ana, o que nos deixa sozinhos até chegarmos ao local da festa.

-Hum agrada-me. - disse  ao pararmos à porta de casa dele.

-Vamos de carro?

-Sim, a minha mãe leva-nos é a única maneira.

-Então acho que não vamos estar completamente sozinhos...

-Pois... esqueci-me desse pormenor - fez um sorriso embaraçado - vamos?

-Força. 

Entrámos no carro e a mãe dele já lá estava dentro. Em poucos minutos estaria na festa de despedida às férias, com o meu namorado, e os meus amigos, a tentar esquecer o que tinha descoberto, ainda assim será que os problemas me vão deixar de vez em paz?

 

publicado por Kate às 16:58
agradeço imenso por todas as palavras ditas naquele comentário, acredita que tiveram imensa importância para mim, pois além do gosto de escrever, eu gosto quando as pessoas se sentem como as personagens que eu crio... como se fossem elas próprios e vivessem num mundo paralelo aquele que vivem. eu já continuei, a verdade é que andei um pouco afastada deste mundo da blogosfera devido a problemas pessoais, mas estou de volta... talvez não por muito tempo, mas para já, estou aqui :) não percebi a tua ideia sobre a fic 'my world', como é que eu poderia voltar a publicar uma fic que já foi acabada? beijinhos.
p;αndяαde. ॐ a 20 de Maio de 2012 às 16:00
desculpa a demora querida... mas já postei. :)
p;αndяαde. ॐ a 4 de Julho de 2012 às 03:21
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sinopse
Na adolescência há acontecimento que podem ficar marcados para sempre. Conseguimos possuir de um milhão de sentimentos em simultâneo, tão bem como pensamentos. With no turning back retrata a história de uma adolescente: Emma, que após ser trocada pelo namorado, e de uma noite marcante na sua vida, em conjunto de um repleto disparate, Emma é obrigada a ir viver com o seu pai e avó para o Alentejo, onde vai fazer amizades que jamais irá esquecer, e principalmente onde vai conhecer o rapaz dos seus sonhos... mas logo por azar, Emma descobre algo terrível, o que pode ser tomado como um risco ou não. Mas quando o amor é muito, e principalmente ''à primeira vista'' não há nada que faça parar o coração de uma adolescente.