-with no turning back-
12
Jul 11

 

 all I ever wanted was love...

 Caminhei para casa, passando por  todo o caminho habitual, os pássaros cantarolavam, os cães, oh sim, os montes de cães, é normal as pessoas no Alentejo terem todas cães, primeiro porque têm quintais, o que lhes dá condições para tal, e segundo porque a maior parte das casas pertence a pessoas de idade, e daí se sentirem mais protegidas em ter um cão ‘’de guarda’’  em casa, ladravam, borboletas voavam à volta das flores, e gatos passeavam pelas ruas.  

 Foi nestas condições da natureza que cheguei a casa.
-Olá Avó, olá pai!
-Olá. -responderam em coro.
-Como foi a escola?
-Foi… (o que é que posso dizer? Foi maravilhosa, fantástica, mágica, linda, sei lá…provavelmente um dos melhores dias na minha vida, mas não posso contar-lhe que já tenho um namorado e só cá estou à 3 dias, ainda pensam que sou alguma ‘’quebra-corações’’ e que ando por aí a aproveitar-me de todos os que me aparecem à frente…)…foi óptima.
-interrompi o meu pensamento, visto que a resposta já estava a demorar muito tempo para ser dita.
-Ainda bem. – disse o meu pai.
-Como é que está a gata, ‘’vó’’ ?
-Eh…está boa, tem andado o dia todo a correr de um lado para o outro, sempre assustada, mas é uma boa gatinha, já lhe dei flocos, ela hesitou um bocado, mas depois lá acabou por vir comer.
-Ah boa… e agora ela está onde?
-Deve estar na tua cama, à bocado quando eu fui lá ela estava lá deitada.
-Está bem, então eu vou lá ver dela, até já.
 Subi as escadas e em pequeninos passos caminhei até ao meu quarto, e sim, era verdade, lá estava ela, deitada nos meus lençóis.
  Sentei-me na cama, já estava pronta para ligar o computador quando recebo uma mensagem da Marta.
-Olá, queres ir dar uma volta ?
-Olá, sim, onde vamos?
-Podias vir a minha casa, e víamos um filme ou algo do género.
-Está bem, moras onde ?
 -Naquele bairro ao pé da escola, muito simpático, sabes? Casa número 48.
-Ok, então até já.
Voltei a colocar o computador onde ele estava e arranjei-me, desci e disse à minha avó e pai que ia a casa de uma amiga, eles concordaram e assim o fiz. Pus me a caminho da casa de Marta. Estava a começar a ficar um pouco frio e até mesmo tempo de chuva. Estava só com um vestido preto justo e umas botas de salto, as mangas do vestido chegavam-me às mãos, mas mesmo assim tinha frio. Mal cheguei a casa da Marta, tal não foi o meu espanto, que reparei que era a casa de onde vi o Alex a sair hoje de manhã.
 Toquei à campainha e a Marta dirigiu-se rapidamente para ao pé de mim.
-Olá  vieste!
-Olá!  - Disse-lhe dando-lhe dois beijos no rosto. – Ah…sim, foi o que combinámos, não ia faltar.
 Mal ela fechou o portão começou a chover, começámos a correr para a porta, e entrámos desamparadamente, um rapaz ia a passar, e eu choquei com ele, depois é que reparei quem era, era o Alex, ali naquela casa, com a Marta?!?!
-Ai!!!! Desculpa! Estás bem ?-disse-lhe olhando-o nos olhos.
-Sim, não te preocupes, e vocês estão bem? Estão todas encharcadas…
-É, parece que a chuva estava à espera que a Emma chegasse! -disse a Marta.
-Vou fazer chocolate quente e buscar-te roupa seca.
-Ah, não é preciso, eu fico bem assim.
-Nem penses, queres ficar constipada é?
-Sendo assim, visto que não aceitas um não. – Disse-lhe sorrindo.
 Assim que ela saiu do hall de entrada olhei para Alex tentando procurar uma resposta para ele estar ali.
-Então o que vem a ser isto afinal Alex? O que é que estás aqui a fazer? Gostas de beijar raparigas e depois vais para casa de outras? –Disse-lhe quase com  uma lágrima a escorrer, ele percebeu.
   -Ah…-disse ele.
-Meninos, venham aqui, estou na sala. –Disse a Marta.
Que lata que ela tinha, comportava-se como se estivesse em sua casa… era repugnante.
 O Alex estava a dirigir-se para a sala quando eu o agarrei pela mão, ele olhou para mim, e chegou o seu corpo o máximo que podia ao meu, e colocou a sua mão direita na minha cintura, eu nada fiz, fiquei a olhar para ele e aperguntar-me o que raio se passava ali, porque é que ele estava em casa da Marta, e porque é que ela se comportava como se a casa também fosse a dela.
 -Ouve, não tens com que te preocupar…ela é minha irmã.
Eu nada fiz, fiquei a olhar para ele e claro que sorri, e ele começou a rir desalmadamente, o que claro também me afectou, parecíamos dois tolos a rir que nem parvos no meio do hall de entrada, comigo com a maquilhagem toda esborratada (quem é que me manda ter a mania de meter sempre lápis nos olhos?!), cheia de frio e a tremer, com os cabelos a pingar... ele limpou-me as lágrimas que já tinham derramado, desta vez já não era por tristeza e desilusão, mas sim por tudo aquilo ser do meu consciente traumatizado... talvez agora o meu subconsciente reage por mim devido ao que passei com o Duarte.

-Desculpa... mas é que... ainda não te tinha contado mas o meu antigo namorado traiu-me e eu gostava dele realmente e já namoravamos à bastante tempo, e quando soube fiquei super deprimida e etc, desculpa por ter tirado conclusões precipitadas!

-Não faz mal... mas tens que me contar melhor essa história, quem é que tem coragem de trair alguém como tu ?

-Ainda demoram muito? Não sabia que já se conheciam... estão a falar desde que chegas-te Emma, o que é que se passa? - Gritou a Marta da sala.

 De súbito comecei a ouvir passos e conclui que ela se estava a aproximar, por isso larguei rapidamente o Alex, quando os nossos corpos se separaram... vai parecer lamechas mas...senti como se ficasse desprotegida e como se a minha alma já não estivesse completa.

Olhei para ela, depois para ele e depois novamente para ela, Alex ia a falar, ou melhor a descambar-se com o nosso relacionamento, namoro, aquilo que lhe quiserem chamar, por isso, eu interrompi-o e disse à Marta que já nos tínhamos cruzado na escola, e que para além disso éramos da mesma turma por isso...estávamos só a conversar nada de mais.

-Então porque é que tu tens a maquilhagem toda borrada? A chuva nao te atingiu a cara...

-Tinha uma poeira no olho, cocei e ficou assim...

-Hum Hum...- disse ela fazendo um sorriso maroto. -Vá venham lá para a sala, Emma, estás a pingar imenso, vem comigo.

Fui com ela, fomos até ao fundo do hall onde estavam umas escadas de madeira e começámos a sorrir, ela abriu a primeira porta que estava do lado direito, definitivamente aquilo não era o quarto dela, estava perfeitamente arrumado, com cores para o azul e cinzento e havia roupa de rapaz dobrada na cama.

-Ah...suponho que seja o quarto do Alex...

-É. Só te queria mostrar a casa, anda daí.

Seguia-a e ela mostrou-me o seu quarto e a casa de banho. Voltámos ao quarto dela e ela deu-me uma blusa de malha preta, e umas calças de ganga azuis claras, deu-me também umas meias e uns sapatos.

-Oh... Marta não era preciso isto tudo, pelo menos fica com os sapatos, as minhas botas ainda me servem.-disse-lhe sorrindo.

-Era preciso sim senhora, a não ser que tenhas planeado faltar às aulas com esta coisa da chuva...

-Ahah, sinceramente, achas?

-Não sei...diz me tu.

-Claro que não, mas a sério, obrigada, vou ali à wc, não me demoro.

-Está bem...

-Ah! Emma, faz-me um favor...

-O quê?

-Limpas essa porcaria toda nos olhos? Ficas mais bonita sem isso.

-Ahaha, só tu, claro, ah... tens desmaquilhante?

-Sim, está na gaveta do lado direito.

-Ok.

Vesti-me rapidamente com receio de que alguém entrasse e visse coisas que não devia, calcei as botas, sequei o cabelo com uma toalha, retirei a maquilhagem e desci as escadas novamente. Fui em direcção à sala e vi a Marta e o Alex sentados no sofá, à frente deles estava uma mesa que tinha 3 canecas,  e a televisão estava ligada.

 Caminhei até ao sofá e deslizei a mão pelo ombro do Alex, ele olhou para mim e sorriu, a Marta é claro que olhou logo para ver que estava atrás dela e eu obviamente retirei de imediato a mão do ombro do Alex.

Desenconstei-me do sofá e sentei-me no mesmo, agarrei na minha caneca e bebi o cacau quente.

-Então que filme vamos ver?-perguntou o Alex.

-Não sei, escolham vocês.-disse eu.

-E que tal a Chave?-disse a Marta.

-Nunca vi esse.-disse eu curiosa.

-É de terror, sobre uma rapariga que vai cuidar de um idoso para a uma casa enorme e depois ela descobre que há ali mais do que um simples AVC e vai investigar...
-Alex, assim contas tudo!- Disse a Marta dando-lhe um empurrão.

-Ok, ok, já me calei.

-Queres ver esse Emma?- perguntou-me ele olhando-me nos olhos.

-Claro.-disse.

-Fixe.-disseram os dois.

A meio do filme começou a chover novamente, chover em Setembro ? Este tempo está cada vez mais louco... e começou a fazer relâmpagos, confesso que com aquele clima todo e com o filme a decorrer comecei a ficar com um bocado de medo e ainda por cima estava numa casa que não conhecia. Comecei a ficar com sono e encostei a minha cabeça no peito dele, conseguia sentir o forte bater do seu coração e o aroma que saía de todo o seu corpo era ainda melhor. A Marta rapidamente olhou para nós.

-Já tinha percebido, não precisas de explicar.-susurrou-nos ela.

Ambos rimos.

-É...parece que bastou uma troca de olhares e ele conquista qualquer uma.

-Nem por isso.

-Nã...que ideia...

-Estás enganada Emma, é muito raro o Alex apaixonar-se a sério.

-Pois é, já ouvi falar...disse eu, olhando-o nos olhos.

-Emma ficas cá a dormir? Está a chover, e escuro e frio... -disse a Marta.

-Ah...

-Claro que fica. -interrompeu uma senhora loira, alta, e muito bonita.

-Olá mãe.-disseram os dois ao mesmo tempo.

-Olá.-disse ela dirigindo-se a eles. -Olá querida, tu deves ser a Emma...se quiseres podes ficar para jantar e dormir.

-Aah... Olá, sim sou eu, mas como sabe?

-Querida, nem tu sabes o quanto eu ouvi falar de ti nos ultimos dois dias.

Sorri-lhe.-Isso é bom, presumo.

-Vou ligar ao meu pai a perguntar se posso.

-Faz isso querida.

Fui para o hall, e marquei o número do meu pai, rapidamente atendeu, expliquei-lhe a situação e ele disse que podia ficar para jantar mas depois tinha de me ir embora, porque ainda só estava cá à poucos dias. Disse-lhe que assim que comesse iria para casa e desliguei.

Voltei à sala, e estavam todos com uma cara muito esperançosa.

-Bem... o meu pai disse que apenas poderia ficar para jantar, mas que noutra altura podíamos combinar isso com mais tempo.

-Oh, ok.-disse a Marta virando-se novamente para a televisão.

A mãe deles dirigiu-se à cozinha e apenas ficámos nós os dois em pé, um ao pé do outro.

 Ele chegou-se mais para mim, colocou os braços à volta da minha cintura e beijou-me outra vez ali no meio da sala, Marta estava tão concentrada num programa qualquer da MTV que nem reparou em nós, aquele beijo estava a demorar mais do que o normal, e os seus olhos era bastante expressivos, percebi que aquilo queria dizer que nós oficialmente namoravamos, não queria saber se só conhecia aquele rapaz à três ou quatros dias, mas o amor que eu sentia por ele era como nenhum que eu antes tenha sentido, custa-me pensar isto, mas mesmo o Duarte não me fazia borboletas na barriga enquanto me beijava nem tinhamos aqueles olhares intensos. Se eu pensei no tempo todo que estive com ele que aquilo era amor, então deixem-me que vos diga, encontrarem-se com um rapaz e beijá-lo não faz disso amor, para isso tem que haver química, faísca, não são uns simples jogos de consola a dois que faz de vocês o casal do século.

Separámos aquele beijo longo e ficámos os dois a olhar um para o outro.

-Então, e o que achas, contamos-lhes?-disse-me ele a susurrar.

-Por mim tudo bem.-respondi-lhe.

-Então vamos a isso.

-Meninos venham o jantar já está pronto.-disse a mãe deles.

Caminhámos todos para a mesa e enquanto isso Marta olháva-nos como se estivesse a dizer ''o que é que vocês andaram a fazer? estão com cara de caso''. Limitámo-nos a sorrir-lhe e chegámos à cozinha, cheirava incrivelmente bem, e eu com a minha curiosidade toda a estrangular-me decidi perguntar o que era.

-É ensopado de borrego, espero que gostes.

-Gosto sim senhora, e por acaso o seu cheira muito, mas muito bem.

-Oh querida, muito obrigada! Meninos sentem-se à mesa, vou já servir-vos.

Fiquei ao lado do Alex e enquanto a senhora estava a servir-nos, decidi perguntar ao Alex como era o nome da sua mãe.

-Elizabete.-susurrou-me ele de volta.

Sorri-lhe e comemos o jantar, tenho a dizer que está tão bom como cheirava.

-Mãe, Marta, eu e a Emma temos algo a dizer-vos.

Pelo seu tom percebi logo o que era, era agora que ele ia dizer que me tinha conhecido á menos de uma semana e que já andávamos, esplêndido.

-Sim querido diz.-disse Elizabete.

-Eu e a Emma conhecemo-nos na tua loja, mãe, e depois na escola percebemos que iamos ficar na mesma turma, e não sei como depois de uma tarde a recuperar a casa dos avós no monte, fiquei completamente cego por ela... e agora nós namoramos.

Elizabete e Marta começaram-se a rir ao principio eu e o Alex não percebemos mas depois foi tudo explicito.

-Estão a rir de quê?-disse o Alex.

-Então... olha que grande novidade que nos estás a dar... ou pensas que não te vi aos beijos com a Emma à porta da escola?-disse Marta.

-Ah...-Alex parecia algo surpreendido.

-Então pronto, agora já sabem, já não temos de esconder nada.-disse eu.

-Estejam à vontade meninos, mas juízo.-disse Elizabete.

Depois de jantarmos arrumámos a cozinha eu despedi-me das ''mulheres da casa''. E depois o Alex acompanhou-me à porta, beijámo-nos novamente e quando acabámos ele disse:

-Adorei ter-te cá Emma, temos que repetir.

-Sim concordo, bem tenho mesmo de ir andando.

-É, a gente vê-se amanhã na escola, ou melhor, vens ter a minha casa de manhã?

-Claro, porque não?

-Adeus linda.-disse ele.

-Adeus.-disse eu.

Saí de sua casa e caminhei até à minha, aquela tinha sido uma noite maravilhosa que nunca irei esquecer, quem me dera que não tivesse de acabar.


 

 

 

 

publicado por Kate às 14:32
ok :) vou ver se começo a ler mais logo.
agnes hope a 14 de Julho de 2011 às 20:01

Uhuh, Emma e Alex :)
Maria a 16 de Julho de 2011 às 15:59
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sinopse
Na adolescência há acontecimento que podem ficar marcados para sempre. Conseguimos possuir de um milhão de sentimentos em simultâneo, tão bem como pensamentos. With no turning back retrata a história de uma adolescente: Emma, que após ser trocada pelo namorado, e de uma noite marcante na sua vida, em conjunto de um repleto disparate, Emma é obrigada a ir viver com o seu pai e avó para o Alentejo, onde vai fazer amizades que jamais irá esquecer, e principalmente onde vai conhecer o rapaz dos seus sonhos... mas logo por azar, Emma descobre algo terrível, o que pode ser tomado como um risco ou não. Mas quando o amor é muito, e principalmente ''à primeira vista'' não há nada que faça parar o coração de uma adolescente.