-with no turning back-
03
Jul 11

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O toque para as 3.15h soou, levantei-me da minha cadeira e pensei como o dia tinha passado rápido, já eram as 3 horas que eu tanto ansiava, ia poder estar com um rapaz lindo e incrivelmente atraente. Saí da sala e e dirigi-me para o cacifo para guardar os livros daquele dia e quando me virei vi uma rapariga a dirigir-se a mim:

-Olá, eu sou a Marta.-a cara não me era estranha, já sei, é uma rapariga da minha turma.

-Olá, já sabes o meu nome, por isso...-disse-lhe.

-É...então queres fazer alguma coisa?

-Não posso, desculpa, tenho coisas combinadas para hoje.

-Ok, não há problema, hei dás-me o teu número?

-Claro.-peguei no telemóvel dela e escrevi o meu número.-Olha, sabes aquele Alex, podias dizer-me alguma coisas sobre ele ?-disse enquanto escrevia o número.

-O Alex da nossa turma?

-Sim.-respondi.

-Bem, ele é simpático, e muito querido, mas ele não se apaixona facilmente miúda, à 5 anos ele apaixonou-se por uma tal Rita e eles andaram juntos 3 anos, e amavam-se profundamente, toda a gente conseguia ver isso, a forma como se beijavam era como se não se vissem à milhões de anos, eram muito chegados e protegiam-se muito um ao outro, mas houve um dia em que acho que a miúda já estava a ficar farta e um dia quando o Alex ia a chegar à escola, encontrou-a aos beijos com outro, é uma história complicada.

-Oh, eu percebo. Eu também acabei um relacionamento à pouco, ele traiu-me com outra qualquer.

-Isso é horrível, porque é que as pessoas sentem necessidade de trair as outras? Não podem simplesmente ser directas e dizerem que já não sentem nada por aquela pessoa? Sim, é claro que a outra vai ficar muito magoada e assim, mas pelo menos não fica mais magoada do que quando descobre que que a outra a andava a trair, eu por mim, preferia mil vezes que ele me fosse directo do que me andar a trair mesmo por baixo do meu nariz.

-Concordo plenamente.- disse eu enquanto caminhávamos para o portão da escola.

-Bem, adeus Emma, gostei de falar contigo, até amanhã.

-Igualmente, adeus.

Fiquei a pensar no que ela disse, acho que todas as pessoas preferem a honestidade do que mais tarde por obra do destino virem a descobrir que aquela pessoa ''mais que tudo'' afinal não passava de um ''já não me és nada''. É claro que se o Duarte me tivesse sido sempre fiel eu percebia a situação e quem sabe se não continuávamos amigos, mas não as pessoas ao que parece gostam de se afastar e cortar relações de uma vez, porque é que as pessoas têm tanta necessidade de mentir e trair? Coisa que nunca irei perceber.

-Olá desaparecida.-soou uma voz por cima do meu ombro.

Dei um salto.

-Hei, então, qual é a tua? Gostas de assustar as pessoas?

-Não tanto como tu gostas de desaparecer, onde é que te metes-te?-conseguia sentir a sua respiração, estava praticamente com o corpo colado ao meu, ok, tanto também não, mas mesmo assim...os seus olhos olhavam os meus sem qualquer distracção, coisa que me estava a deixar desconfortável, desviei-me e olhei para baixo, e novamente para o seu rosto, ele percebeu que me estava a deixar embaraçada e riu-se.

-Estive a falar com uma colega, nada de mais.

-Está bem. Vamos?

-Claro.

Caminhámos, e caminhámos e caminhámos nunca mais chegávamos a lado nenhum até que me lembrei que nem tinha avisado o meu pai que ia chegar tarde.

-Vou dar uma volta com um colega, devo chegar antes do jantar, beijos.

-Ok, juízo.

Subimos a vila, passámos pelo tanque, onde as senhoras se juntam para lavar a roupa, passámos pelo parque, pela loja dos trezentos, pela mercearia, até que desviámos por um carreirinho, subimos toda aquela terra batida e chegámos ao topo do monte, os meus olhos não queriam acreditar no que estavam ver, um lindo prado cheio de flores, e o por do sol era claramente visto, toda a vila era possivel ver dali, nem podia acreditar como tudo era tão bonito e mágico, estava no topo de um monte com um rapaz que mal conhecia, acabada de sair de uma relação, a ver o por do sol, e nem por isso me importei, parecia que nada me podia impedir de ser livre.

 Estávamos os dois lado a lado de pé a apreciar aquela linda paisagem. Conseguia sentir a sua respiração ofegante e o seu cheiro era simplesmente irresistível.

-Em que pensas?-disse ele.

Estava completamente impressionada e ainda com a boca aberta da surpresa, desviei os olhos, voltando à realidade.

-Ah...ah...isto é lindo, mágico.-acabei por responder.

-É.-fez uma pausa.- O meu avô costumava vir comigo para aqui quando eu era pequeno, dizia-me que foi ali que encontrou a minha avó, numa tarde de verão, ela estava a chorar junto àquela casa que vês ali ao fundo, meia abandonada. A minha família não era propriamente rica, mas também não éramos pobres, e ao que parece, a Sr.Matilde jamais admitiria que a sua filha casasse com alguém como o meu avô.

 Então todas as tardes, eles encontravam-se aqui onde nós estamos, debaixo desta árvore e passavam aqui longos serões, até a Sr.Matilde chamar a minha avó para ir lanchar.

 Falavam de imensas coisas, esta árvore era a única coisa que os podia manter juntos. Até que um dia a minha avó revoltou-se e decidiu sair de casa e fugir com o meu avô, foram viver para Lisboa e lá ficaram. 

-Alex, isso é lindo. Eles amavam-se mesmo de verdade.

-Sim, por isso é que eu gosto de vir para aqui pensar na vida e em tudo o resto, isto acalma-me, esta árvore tem monte de memórias guardadas nela, já pensei em um dia arranjar aquela casa e ir para lá viver, mas ainda não tive inspiração nem tempo para isso.

-Ok.

-Ok, o quê?-disse ele.

-Eu ajudo-te a por a casa outra vez ''de pé''.

-Tens a certeza?

-Absoluta.

-És maluca, só pode.

-Então e porquê?-disse.

-Porque estás disposta a ajudar um rapaz que mal conheces, a arranjar uma casa no meio do monte.

-E então? E não te conheço mal...ok, eu conheço-te mal, mas e então? Não me pareces o tipo de rapaz que me queira violar ou matar ou algo assim, pois não? Deixa-te de desculpas e anda comigo.-disse-lhe.

Comecei a caminhar em direcção à casa que estava cheia de pó, sem algumas telhas, com madeira podre e com monte de folhas e ervas a crescerem à volta. Não sentia o seu cheiro ao pé de mim, por isso olhei para trás e ali estava ele, embasbacado a olhar para mim. Dei uma volta e fui ter com ele. Agarrei na mão dele, o que me fez sentir algo estranha e trouxe-o comigo para a casa.

-Anda lá, quanto mais cedo começarmos melhor.

Ele esboçou um sorriso, e percebi que alinharia nisto comigo.

-És sempre assim?

-Assim como ?

-Energética e sempre sorridente.

-Sim, não perco tempo com coisas desnecessárias, a vida tem que ser aproveitada ao máximo.

-Claro, senhora visão perfeita do mundo, ahah, vamos ter muito trabalhinho, tens consciência disso?

-Não te preocupes.

Chegámos à casa que estava cheia de teias de aranha, abrimos a porta, e reparámos que iamos mesmo ter muito trabalho, havia lixo no chão, paredes grafitadas, bichinhos, tudo o que uma casa abandonada tem.

 -Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!-gritei.

-O que foi, estás bem ?-disse ele, a vir ter comigo.

-Não não estou bem! Uma ra...rata...ratazana!

-Onde?Onde?

-Ali, debaixo da cadeira!

-Ah, é tão pequenina, até parece um rato, anda lá.

Saímos da casa, prendi o cabelo com o elástico e ele despiu a camisa, ficando só com uma t-shirt e os calções. Pendurou a camisa na árvore e entrámos novamente na casa.

-Vamos a isto, vamos começar por tirar tudo o que está cá dentro, móveis, lixo, arrancar ervas, tudo.

-Está bem.-disse eu.

Comecei pela sala, primeiro tirei a mesa, depois foram as cadeiras, os sofás todos rotos, as latas de sumol e coca-cola no chão, e por fim a cómoda dos pratos e talheres.

-Hei Alex, vê se há por aí uma vassoura.-gritei-lhe para a cozinha.

-Vou ver. Já encontrei toma.-disse-me ao caminhar até para me dar a vassoura, as nossa mãos tocaram-se e ambos estremecemos, sorri-lhe e voltámos ao trabalho.

-Obrigada.-respondi.

Depois de a sala não ter nada comecei a varrer, havia imenso lixo, e depois de ter varrido, a diferença era bem notável.

 Fui em direcção à cozinha ver como é que ele se estava a sair.

-Já acabei a sala, e tu?

-Na cozinha já está tudo, balde do lixo, pratos, mesa, cadeiras, está tudo lá fora. Hei passas-me a vassoura se fazes o favor?

-Claro. Já volto.

Fui buscá-la à sala e entreguei-lha.

-Toma.-disse eu.

Assim que ele acabou de varrer a cozinha saimos da casa e voltámos a descer tudo outra vez, até que chegámos a minha casa.

-Bem, vemo-nos amanhã na escola.-disse ele.

-Sim.-disse a sorrir.

Despedimo-nos com dois beijos no rosto e ele virou-se para trás e disse:

-Adorei passar a tarde contigo, adeus. -e sorriu-me.

-Sim eu também.

 


publicado por Kate às 13:46
Gostei muito :D
Continua a escrever ^^
(Desculpa só estar a comentar no capítulo 5, mas é que nos capítulos atrás eu dizia-te sempre pelo MSN xD)
Patrícia F' a 3 de Julho de 2011 às 17:53
ahah, nao faz mal, obrigada ^^
Kate a 3 de Julho de 2011 às 17:54
Está lindo
adoro cada vez mais :D
bjs, posta depressa :)
- Biaa a 4 de Julho de 2011 às 16:46
como leste, o meu pai foi várias vezes para a clínica, mas não resultou -.-
mas gosto de saber que o teu pai está curado (:
e obrigada querida :3
▲ máei a 6 de Julho de 2011 às 18:59
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sinopse
Na adolescência há acontecimento que podem ficar marcados para sempre. Conseguimos possuir de um milhão de sentimentos em simultâneo, tão bem como pensamentos. With no turning back retrata a história de uma adolescente: Emma, que após ser trocada pelo namorado, e de uma noite marcante na sua vida, em conjunto de um repleto disparate, Emma é obrigada a ir viver com o seu pai e avó para o Alentejo, onde vai fazer amizades que jamais irá esquecer, e principalmente onde vai conhecer o rapaz dos seus sonhos... mas logo por azar, Emma descobre algo terrível, o que pode ser tomado como um risco ou não. Mas quando o amor é muito, e principalmente ''à primeira vista'' não há nada que faça parar o coração de uma adolescente.