-with no turning back-
30
Jun 11

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Começava a ficar um pouco nervosa, ok, um pouco é pouco! Muito nervosa, não sabia como iria ser o primeiro dia de aulas, nem com que pessoas me ia deparar, nem como funcionaria o sistema no refeitório, se a minha turma era boa ou não...se havia ''uma ovelha negra na turma'', todo o tipo de coisas com que as raparigas ficam nervosas antes de começarem as aulas.

 Eram 3 horas da manhã, e estava eu ali, deitada no meu novo e belo quarto, deixando que os meus pensamentos levarem-me onde eles quisessem, levando-me a recordações e a pessoas próximas, pensando nas coisas mais absurdas, até ter uma dor de cabeça, 3horas e eu com uma dor de cabeça, sentada na cama a pensar porque é que simplesmente não me conseguia deixar levar pelo sono?

 Levantei-me e muito cuidadosamente fui buscar o Mac para ao pé de mim, voltei a entrar na cama e coloquei o portátil por cima das pernas, liguei-o e de seguida iniciei sessão no Messenger.

-Olá, olá! Tu por aqui ?- era o Duarte. 

Belo, não, a sério, nada melhor para completar esta linda e maravilhosa noite do que senão encontrar-me com o ex do meu namorado noMessenger a estas horas...

-Olá Duarte, sim, tenho insónias e tu, o que queres?

-Hei! Miúda calma... eu também tenho insónias, olha, sei que pode não ser a melhor altura para falarmos mas... temos de esclarecer umas coisas...

-Como por exemplo? Eu acho que deixei tudo claro, ou estás assim tão cego de amor pela outra que nem ouviste o que te disse?

-A Mariana? Desculpa a sério, eu não queria trair-te mas... aconteceu.

-Aconteceu? Estás bem ? As coisas não simplesmente ACONTECEM... para isso as pessoas têm que as querer.

-Eu sei que não há explicação para o que te fiz, vá lá, miúda, dá-me uma hipótese!

-Olha Duarte adeus, nem sei como é que pude namorar com alguém tão otário como tu, fica bem.

Desliguei a conversa e desliguei o Messenger. Se havia coisa que pudesse piorar aquela noite? Não, não havia. Acabei por adormecer, e assim que os meus olhos voltaram a abri já era outro dia, outro ciclo, outra vez, as 7 horas da manhã que eu tanto ansiava.

Levantei-me num ápice e dirigi-me à casa de banho, tomei um duche rápido, saí e dirigi-me ao meu quarto, a correr, como sempre deixei os meu chinelos no quarto.

Vesti um top branco e uns calções de cintura subida de ganga. Desci e comi o habitual: uma torrada e uma caneca de leite com chocolate.

 Soube me bem ter aquele requintes logo de manhã preparados pela minha avó.

-Adeus Emma, boa sorte.-disse ela.

-Obrigada, avó. Até logo.

 Dirigi-me à porta, hesitei, respirei fundo e saí com o pé direito. Desci o chão inclinado de cimento e dirigi-me ao portão, olhei para trás e reparei como era diferente da vida na cidade, conseguia cheirar as rosas, as árvores, as plantas. Conseguia ouvir o som dos passarinhos a cantar logo de manhã, sentia uma frescura vinda contra mim juntamente com uma brisa. Naquele momento senti que a qualquer momento podia ganhar assas e voar, ser livre, voar para lá dos meus horizontes... Mas não, de repente voltei à realidade, abri o portão, mas só um pouco, de forma a que não chegasse a fazer aquele ruído, para não acordar o meu pai, fechei-o, e comecei a andar, fui pela esquerda, desci aquele carreirinho todo, virei à direita passando por um bairro muito simpático e voltei outra vez à esquerda e quando dei por mim já estava mesmo à porta da escola. Como seria possível? Na cidade tinha que apanhar comboio, autocarro e andar 10 minutos a pé, resumindo-se tudo a 45 minutos de transportes. E ali, apenas me bastou andar, virar algumas esquinas e voilá 1*, estava a deparar-me com montes de jovens, uns sentados no chão, outros no muro, outros a correr e a rir bastante, e tudo em 5 minutos! 

 As pessoas olhavam-me, como de costume, a examinar, e a ver quem era aquela nova pessoa. Estava a caminhar em direcção ao portão para passar o cartão, quando oiço um voz muito suave e algo familiar.

-Hei, bom dia! Emma não é?

-Sim, bom dia! Não sabia que frequentavas esta escola.-disse sorrindo.

-É desde a primária, estive sempre nesta escola, conheço todos e todos me conhecem, conheço cada canto e cada segredo desta escola.

-Isso é bom, acho.- disse eu enquanto caminhávamos.

Sorriu-me.

-És o Alex, da loja de tecidos não és?

-Sim, mas só trabalho lá nas férias.

-Inteligente, huum, ahah. -soltei uma gargalhada.

-É, assim sempre arranjo dinheiro para o resto da metade das férias, tiveste sorte, eu estava lá nesse dia, porque a minha mãe está doente.

-Oh, que mau.

-É.-disse ele olhando para o chão.-Mas, sabes? Até gosto, já faço isto com a minha mãe à muito tempo, e assim não preciso de estar sempre dependente do dinheiro dela, tenho as minhas poupanças.

-Fico feliz por ti.-disse.

-Bem, queres ir comigo ver em que turma ficámos?

-Claro, porque não?-disse eu.

Caminhámos até às janelas onde estavam afixadas as turmas e eu procurava o meu nome, quando ele disse:

-Então já sabes em que turma ficas?

-Não e... - fui interrompida.

-Já achei!-gritou ele. -Olha, és Emma Filipa Soares?

-Sou, porquê?

-Bem vinda, miúda, ficas-te na minha turma.-disse ele a sorrir.

-Boa.-gritei eu. e depois de me ter apercebido do berro, limitei-me a sorrir-lhe.

-Vamos? A aula é na sala 23.

-Ok, vamos.

Acompanhou-me até à sala e bateu à porta.

-Podemos sêtora?

-Claro, Alex, entra.

-Ah, sêtora, a nova aluna está aqui.

-Ah entra linda. Meninos esta é a Emma.

Dei um passo em frente, fechei a porta e coloquei o cabelo atrás da orelha esquerda.

-Olá a todos, chamo-me Emma, o meu nome não é português, porque tenho família Americana, tenho 16 anos e venho de Lisboa.

-Olá.-disseram todos em coro.

-Ah, professora, onde é que me sento?

-Ah miúda, está à vontade, escolhe um lugar qualquer.

-Está bem.

Caminhei até à mesa onde o Alex se tinha sentado, pelo menos era a única pessoa que eu conhecia minimamente ali.

-Fizes-te uma boa escolha.-sussurou-me ele.

E de imediato, assim que me sentei começaram todos a fazer ''uh, ah, eh lá...'' ignorei-os.

-Então esta é a sêtora de quê?

-Formação cívica.

-Obrigada.

-Bem meninos, este ano vamos desenvolver um trabalho sobre o namoro e as relações, vamos abordar vários assuntos como a gravidez inesperada, as traições, os maus tratos, etc, como vocês devem saber, nem todas as relações correm às mil maravilhas...

Deixei de a ouvir, não suportava ouvir falar mais em relações, muito menos em traição. Desviei o olhar da professora e olhei para o Alex, não tinha reparado como ele era tão bonito, a sua pele morena transmitia uma enorme sensação de calor, e os seus olhos verdes, profundos, olhavam-me de uma forma que nem eu conseguia decifrar, não sabia ao certo o que se estava a passar entre mim e aquele rapaz, mas estava prestes a descobrir. O seu cabelo batia vezes e vezes sem conta no seu rosto, a enorme brisa que entrava pela janela fazia esse efeito. Os seus lábios eram perfeitamente delineados. Por mais que quisesse os meu olhos não conseguiam descolar-se da visão que tinham à frente.

 -Hei, estás bem?

-Sim, desculpa é que acho que tens um mosquito no cabelo.-menti.

Ele sacudiu o cabelo. Tens um mosquito no cabelo? Em que estava eu a pensar? Não sabia arranjar nada melhor, não? Por amor de deus, que vergonha.

-Assim está melhor.

-Definitivamente.-Disse eu.

-Queres combinar algo para logo à tarde?

O meu coração batia cada vez mais rápido, a minha respiração perdia-se algures na perfeição do seu rosto, estava sem palavras e começara a corar. Era melhor alguém fazer alguma coisa antes que eu tivesse um ataque cardíaco, mesmo ali na primeira aula do resto do ano.

-Ah, hum, sim, é claro.-acabei por responder.

-Ahaha.-riu-se ele. -Boa, onde queres ir?

-Não sei...

-Já sei um sítio perfeito.-disse-me ao afastar uma mecha do meu cabelo do rosto.

-Onde?

-Vais ter que esperar para saberes.

-Oh, vá lá!

-Nope.-disse ele.

-Está bem, então quando sairmos da escola vamos.

-Sim.

Nem podia acreditar que tinha um encontro com o rapaz mais giro do mundo, na minha opinião, que tipo de rapariga faz isso? Quer dizer, supostamente eu devia estar em casa, a chorar baba e ranho, e a tentar encontrar respostas para todas as minhas perguntas, mas não em vez disso, estava ali, a combinar um encontro, enfim, nunca me hei de perceber. Mas a chorar por coisas que não choraram por mim é que não.

 Agora é esperar até às 3.15 horas da tarde.

 

 1*- voilá, palavra francêsa: significa '' já está ''.

 


 

publicado por Kate às 18:10
Bué fixe Katiiiiie :)

ty ^^ ma chérie
catarina a 30 de Junho de 2011 às 18:40
Esta lindoo
Adoro a tua história :D
eu disse que ia haver coisa entre eles os dois (como se não fosse óbvio xD)
posta depressa e obrigada por me avisares quando postas bjs
- Biaa a 30 de Junho de 2011 às 23:21
comecei a ler esta fic agr e ja amooo <3 xp
ta lindoo
u.u
bj
posta rapido pleaseee
carol a 1 de Julho de 2011 às 18:26

aha, a sério ? eu não acho que esteja assim tao giraa, mas se as pessoas dizem, fico contente por saber, obrigada :)
Kate a 1 de Julho de 2011 às 18:43
Gostei mto :)
Mada :P a 3 de Julho de 2011 às 17:12
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sinopse
Na adolescência há acontecimento que podem ficar marcados para sempre. Conseguimos possuir de um milhão de sentimentos em simultâneo, tão bem como pensamentos. With no turning back retrata a história de uma adolescente: Emma, que após ser trocada pelo namorado, e de uma noite marcante na sua vida, em conjunto de um repleto disparate, Emma é obrigada a ir viver com o seu pai e avó para o Alentejo, onde vai fazer amizades que jamais irá esquecer, e principalmente onde vai conhecer o rapaz dos seus sonhos... mas logo por azar, Emma descobre algo terrível, o que pode ser tomado como um risco ou não. Mas quando o amor é muito, e principalmente ''à primeira vista'' não há nada que faça parar o coração de uma adolescente.