-with no turning back-
27
Jun 11

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Uma semana se passou e o momento está a chegar, uma atitude completamente irracional levou-me a isto, não só por essa razão, porque a minha mãe já me tinha avisado que a qualquer momento podia ir para o Alentejo, não sei o porquê nem para quê, mas ela lá tem os seus motivos, e agora não há volta a dar.

Tinha as malas feitas, 3 malões enormes com roupa, e outro dois com coisas pessoais... caminhei em direcção à porta de casa, despedi-me da minha mãe com dois beijos na face e o meu irmão ajudou-me a carregar as malas. Saímos e começámos a descer a escada, um enorme corrupio pairava sobre a minha cabeça, cada passo que dava nas escadas e que soava como se cada vez mais estivesse a caminhar para o meu fim, cada pequeno passo ecoava na minha cabeça, deixando-me enjoada e com formigueiros na barriga, não acredito que isto esteja a acontecer, tudo o que me era próximo vai desaparecer num simples segundo, caminho para a porta do prédio e avisto a caravana do meu pai, porque raio andava ele com uma caravana? Não estamos no Alentejo, ainda!

Colocámos os malões na caravana, e cumprimentei o meu pai, ele deu-me dois beijos e sorriu.

-Estou muito contente que venhas viver comigo, Emma.

-Sim, eu também.-disse. Acho eu...-sussurrei.

A minha mãe lá de cima acenou-me e eu também lhe acenei, e mandei-lhe um beijinho com as mãos.
-Bem, adeus Emma.-disse o meu irmão abrançando-me. 

-Adeus André.

Entrámos no carro e o meu pai colocou o pé no pedal, e seguimos viagem, deitei-me no sofá da caravana e adormeci por alguns momentos, assim que o meu pais fez uma travagem acordei, e fui ao pé dele.

-Pai, como é a casa?

-Bem... tem 3 quartos, um meu, outro da tua avó e outro teu, que por acaso limpei hoje de manhã e coloquei lençóis lavados e quentinhos, no piso de baixo há um compartimento que é uma mega dispensa, a sala está ligada à cozinha, e há o quarto da avó, assim que sobes as escadas tens a minha secretária, com os meus projectos de arquitectura e estantes, depois tens uma porta, mais estantes e uma porta que dá para umas escadas que levam ao quintal, mas continuando, para o lado esquerdo, ao fim do corredor, há uma porta de correr, aí existe a minha secretária com o computador e a impressora, etc, depois no lado direito há dois cadeirões, uma mesa e um móvel para guardar loiça antiga em madeira escura, ah e uma cómoda ao lado da porta que dá para a rua de cima, depois para a direita outra vez tens o teu quarto. Saindo desta divisão e voltando ao corredor, do lado direito há outro corredor pequenino, lado direito há duas portas, uma que pertence à casa de banho e outra ao meu quarto, e do lado esquerdo há outro quarto, mas esse era para quando o teu irmão cá vinha, por isso não conta.

No quintal, tens a casinha dos brinquedos, o casarão onde a avó guarda a lenha e onde há a lareira, um fogão e uma mesa, e pronto, depois há 3 laranjeiras, e um limoeiro e então se formos falar de flores nunca mais acabo... é basicamente isto.

-Ok, pai, obrigada.

Neste momento montes de memórias me vieram à cabeça, lembro-me de nesse casarão fazer bolinhos em forma de ''8'' com a minha avó. Lembro-me de estar deitada no colo do meu pai à lareira e de a minha mãe ligar a dizer que a minha tia tinha morrido. Lembro-me da primeira vez que que vi neve, foi no quintal, a neve caía sobre todo o lado, e numa pilha de lenha no chão coberta por uma cobertura de plástico era onde eu me encontrava, comecei a mexer na neve que por lá poisava, tinha as minhas luvas, mas mesmo assim os meus dedos congelavam, lembro-me de ter imenso medo de um bicho gordo, feio e preto que vive naquele quintal já há muito tempo, ele dorme nos tubos que a avó usa para estender a roupa e afins, lembro-me de avó chegar a contar-me que enquanto lavava umas calças no tanque que se bem me lembro foi pintado por mim, pelo meu irmão e pelos meus primos, foi atacada por esse ''bezumbezelho'', como eu lhe chamo, mas o nome pelo qual é conhecido é besouro. Lembro-me de me entreter a apanhar pequenos peixes/bichinhos que residiam na água do outro tanque, quando a água estava lá há algum tempo os bichinhos formavam-se e eu apanhava-os com o escoador. Lembro-me de bincar com o meu primo ao ''Jakie and Jack'' em que tínhamos que fazer missões e etc. Lembro-me de uma vez ter caído da rede que estava presa num dos postes e numa laranjeira, balancei tanto que dei com o rabo no chão, o mesmo a aconteceu com uma argola presa com uma fita à árvore, eu baloiçava lá também, mas como sempre a argola partiu-se e eu caí. Lembro-me de a minha avó cozinhar super bem, do cheiro da terra molhada e das flores. Lembro-me de fazer uma festa de anos em que a minha avó fez montes de gelatinas coloridas, cortou-as em cubinhos, enfiou-as num copo enorme e meteu chantilly por cima, cada criança tinha um copinho desses, e estava mesmo bom! Memórias, de coisas que nunca vou esquecer, podem ter a certeza. 

-Pai, já estamos a chegar?

-Quase, 10 minutos.

-Ok.

Arranjei-me, guardei o iPod na mala, escovei o cabelo, puxei as calças para cima, e quando reparei já estava à porta da casa.

Abri a porta e uma brisa de rosas veio contra ao meu rosto, sorri, respirei fundo e desci da caravana.

Ainda me lembrava das rosas que a minha avó colocou a fazer de muro, perfeitamente entrelaçadas umas nas outras, com enormes espinhos. Abri o portão que fez um ruído ao raspar no chão contra o cimento, cimento esse que tinha uma frase escrita no chão juntamente com o ano, lembro-me que fizemos isso quando o meu avô teve que arranjar os canos, e depois teve que tapar tudo de novo e aplicou cimento.

Subi o chão inclinado de cimento que me conduzia até à porta, vi uma luz a acender-se e percebi que a avó já tinha dado pela nossa chegada.

Abriu a porta e disse:

-Emma! Minha querida! - disse isto e ao mesmo tempo abraçava-me e soltou uma lágrima.

-Avó!

Desci novamente para ir ajudar o meu pai com as malas.

Entrámos em casa e eu parei por momentos, o meu coração batia muito fortemente, aquele cheiro, as luzes, a casa, tudo em si estava a causar-me um grande impacto. Pousei os malões e corri para junto do fogão: bifes com puré, tão bem que me lembrava daquele prato, bifes de perú, a avó ainda se lembrava!

Soltei uma lágrima e esboçei um sorriso. Por trás a minha avó meteu-me a mão no ombro e disse:

-É bom ter-te de volta Ems.

-Sim.-disse.

Subi as escadas atrás do meu pai.

-Anda o teu quarto é para aqui.

Segui-o. Entrámos no quarto, olhei em meu redor e vi livros da Rua Sésamo, peluches, desenhos feitos por mim e pelos meus primos, canetas, a minha televisão que apenas dava os canais 1,2,3. Sorri, e deixe-me cair sobre a cama, estava nas nuvens, era uma nova etapa na minha vida que certamente mudará tudo.

O meu pai enconstou os malões todos a um canto, sentou-se no cadeirão e disse:

-Compreendo que o teu quarto esteja um bocado infantil para a tua idade, se quiseres podemos ir a uma loja aqui perto que vende moveis e objectos de decoração, hoje depois do lanche vou à loja do Sr.Manuel pedir uma palete de tintas, passamos ainda pela retrosaria para comprarmos tecido para os cortinados, a avó faz as bainhas na máquina de costura.

-Perfeito. Vou arrumar umas coisas, tomar um banho e já desço.

-Está bem, não te demores a avó esmerou-se com o jantar.

-Claro.

Arrumei o básico e o resto deixei nas malas, para quando os móveis novos vierem ser mais fácil de arrumar. Enquanto tomava banho veio-me à cabeça tudo o se passara em Lisboa, como as pessoas conseguiam ser maliciosas, como havia tanta poluição e stress... de certa forma prefiro estar aqui, e apreciar os factos da vida, do que estar lá a discuti-los.

 Pensei no Duarte, em como tudo tinha acabado de um dia para o outro, em como ele me tinha deixado... não queria pensar mais nisso e o melhor era certamente esquecê-lo.

publicado por Kate às 19:04
está mesmo lindo
tens imenso jeito para escrever e acho que devias continuar ;)
e podes avisar-me quando postares um novo capítulo?
agradecia imenso
bjs <3
- Biaa a 27 de Junho de 2011 às 22:02
de nada
apenas digo a verdade :D
- Biaa a 27 de Junho de 2011 às 22:17

 Gostei muito. :)
Maria a 28 de Junho de 2011 às 11:32
mais logo irei ler :) don't worry.
agnes hope a 28 de Junho de 2011 às 20:46
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sinopse
Na adolescência há acontecimento que podem ficar marcados para sempre. Conseguimos possuir de um milhão de sentimentos em simultâneo, tão bem como pensamentos. With no turning back retrata a história de uma adolescente: Emma, que após ser trocada pelo namorado, e de uma noite marcante na sua vida, em conjunto de um repleto disparate, Emma é obrigada a ir viver com o seu pai e avó para o Alentejo, onde vai fazer amizades que jamais irá esquecer, e principalmente onde vai conhecer o rapaz dos seus sonhos... mas logo por azar, Emma descobre algo terrível, o que pode ser tomado como um risco ou não. Mas quando o amor é muito, e principalmente ''à primeira vista'' não há nada que faça parar o coração de uma adolescente.